

Formula 1 sob a ótica de um doente por velocidade
E os dois protagonistas do início da corrida foram eles mesmos. Webber fez uma má largada e, na tentativa de espremer Barrichello no lado interno da pista, tocou no brasileiro de forma perigosa. Rubens conseguiu assumir a ponta mesmo assim e Hamilton, que pulava de quinto para segundo, acabou escapando e furando um pneu.
A punição a Webber demorou algumas voltas a ser anunciada, o que deu tempo para os dois líderes abrirem muita vantagem pro segundo pelotão, formado por Kovalainen, Button, Massa e Vettel. Barrichello entrou nos boxes com a corrida nas mãos, no mesmo momento em que Webber pagava sua punição. E foi na volta à pista que Barrichello acabou perdendo a chance de brigar pela vitória. O brasileiro voltou atrás de Massa e não conseguiu ultrapassá-lo, perdendo cerca de um segundo por volta em relação ao ritmo que podia e precisava ter, por ter de fazer três paradas, contra duas de seus principais oponentes.
Antes de Barrichello, Button com uma tática idêntica fora aos pits e vinha se recuperando com algumas ultrapassagens, porém sem um bom ritmo. Kovalainen também foi aos boxes e, quando Massa o fez, a equipe acabou perdendo tempo e o brasileiro acabou voltando atrás de Vettel. Barrichello não conseguia andar tão rápido, mesmo sem a presença de Felipe à frente e Webber logo se aproximou, mesmo com pneus de composto duro. Sutil foi o último dos ponteiros a ir aos pits e, na volta à pista, acabou com sua corrida ao dividir uma curva atabalhoadamente com Raikkonen e quebrar sua asa dianteira.
Button e Barrichello fizeram suas segundas paradas e Barrichello acabou perdendo tempo em seu reabastecimento. Neste momento, Rosberg já aparecia como candidato inclusive ao pódio, com uma tática de paradas mais longa que a dos rivais. Com pneus duros, os carros da Brawn passaram a andar num ritmo melhor, o que evidenciou um erro na escolha dos compostos.
A Brawn parece sem chances contra a Red Bull quando as temperatura é baixa. A esperança de Button está na próxima corrida, numa Hungria que normalmente é escaldante. Se a Red Bull levar vantagem por lá, Button pode dar adeus ao título.
Já a classificação teve boas doses de emoção. A pista permaneceu molhada durante boa parte do tempo e foi secando gradualmente no final. Os tempos baixavam a cada minuto e a Jordan fez uma estratégia perfeita, trocando os pneus do alemão e reabastecendo sua Jordan como num pitstop de corrida, dando tempo para Frentzen abrir sua última volta rápida instantes antes do cronômetro zerar e garantindo a segunda pole da história da Jordan e a primeira de um motor Mugen-Honda devido ao piso quase seco naqueles instantes.
No Q1, os carros começaram a ir pra pista logo com o sinal verde acionado no pit lane. A maioria foi, inclusive, com pneus macios para a pista.
Os eliminados foram Heidfeld, que largará em 11°, seguido de Alonso, Nakajima, Trulli e Rosberg. Piquet, pela primeira vez na F1, bateu Alonso numa classificação. E Sutil levou a Force India pela primeira vez a um Q3.
O Q3 começou com a pista já totalmente seca e as Brawns foram as primeiras a ir pra pista, juntamente com Vettel. Barrichello foi o primeiro a completar volta rápida, enquanto Button abortou a sua para ir aos boxes e mudar a estratégia.
Na volta à pista, a briga ficou entre Hamilton e Button por alguns instantes. Até que apareceram as Red Bulls, assumindo a ponta com Webber e o segundo lugar com Vettel. Com voltas abertas nos últimos segundos, Barrichello e Button conseguiram se colocar entre as RBRs, com Barrichello garantindo a primeira fila. Hamilton foi o quinto, seguido por seu companheiro Kovalainen, o impressionante Sutil, as duas Ferraris, com Massa à frente e Piquet.
Amanhã a corrida é das mais imprevisíveis. A chuva deve cair em algum momento e Barrichello passa a ter muito chance pois mostrou que ninguém como ele consegue ler as condições de pista, quando elas mudam rapidamente. As RBRs ainda são as favoritas,mas até Hamilton merece ser observado.
Logo no início da mesma, com uma temperatura quase tão baixa quanto a de ontem pela manhã, os pilotos pareciam com preguiça de irem à pista. Com alguns minutos ainda era Sutil o líder do treino. Massa, Glock e Button também passaram pelo topo da tabela, mas Hamilton não demorou a tomar a ponta da sessão.
Felipe Massa conseguiu melhorar novamente no final e diminuiu a diferença de seu rival do título do ano passado para cerca de dois décimos. Mas Alonso conseguiu se colocar entre os dois, em um bom resultado de sua Renault. Por outro lado, Nelsinho, que pode fazer seu último gp em 2009, não passou de um 16°.
As duas Red Bulls, discretas, foram quarto e quinto, com Vettel à frente. Raikkonen confirmou a boa manhã da Ferrari. Trulli foi o sétimo, seguido por Rosberg, Nakajima e Heidfeld. As Brawns foram mal, com Button em 11° e Barrichello em 14°.
A garoa fraca não espantou totalmente os carros da pista e alguns chegaram a usar pneus intermediários. Com a garoa cessando, a pista secou rapidamente e não demorou para o tempo de Vettel cair. Kovalainen fez uma sequência de voltas rápidas e assumiu a liderança provisória. Liderança que trocou de mãos entre Webber e Heidfeld, para ficar com Webber durante alguns minutos.
As primeiras posições permaneceram se alterando, no momento em que a Brawn deu as caras pela primeira vez, com Button assumindo a ponta e ficando lá por alguns minutos. Quando Barrichello assumiu a quarta psoição, Vettel voltou a pista e acabou com a brincadeira da equipe estreante, fazendo uma volta que prometia ser voadora pelas parciais, mas que acabou batendo o inglês por apenas 27 milésimos. Evidenciou um problema no terceiro setor por parte da Red Bull.
Button se colocou entre os carros da equipe de bebidas energéticas, em terceiro. Trulli foi o quinto, Sutil confirmou o bom desempenho da Force India em sexto e completaram os dez primeiros, Barrichello, Alonso, Nakajima e Piquet, que acabou parando o carro com problemas, já com a bandeira quadriculada. Massa foi o 12°, quatro posições à frente de Raikkonen.
Webber logo confirmou que a temperatura ambiente de 11°C era mesmo ótima para a equipe austríaca e pulverizou os tempos dos concorrentes, volta a volta. E Vettel, assim que conseguiu se posicionar com o segundo tempo atrás do australiano, parou com problemas entre as curvas 1 e 2. Seu carro simplesmente desligou o motor, exatamente no mesmo local e da mesmíssima forma que Sutil momentos antes.

O GP da Alemanha, que este ano será disputado em Nürburgring, já foi disputado também em outras duas pistas: a famosa Hockenheimring e a pouco conhecida Avus, que sediou apenas um GP, em 1959.
Nos últimos anos, tanto Hockenheim, quanto Nürburg coexistiram no mundial de F1. Entretanto, apenas uma detinha o título de GP da Alemanha. Nürburgring normalmente sediava o GP da Europa e por dois anos o GP de Luxemburgo. Agora, com a entrada de novas pistas no calendário, o GP da Alemanha vem sendo revezado entre as duas principais pistas teutônicas que têm como seu maior vencedor Michael Schumacher, com 10 vitórias.
Em Nürburgring, a última corrida ocorreu em 2007. Já era o GP da Alemanha, mas aconteceu com o nome de GP da Europa por questões comerciais. A corrida aconteceu sob muita chuva, que caiu no final da primeira volta e causou bizarrices como a liderança de Markus Winkelhock em seu único gp pela Spyker, Lewis Hamilton sendo içado de volta à pista por um trator após rodar e ficar na caixa de brita e o safety car arrancando para escapar da batida de Vitantonio Liuzzi. Depois da interrupção por bandeira vermelha, a corrida decorreu sob o domínio de Felipe Massa com a pista secando gradualmente, mas no final a chuva voltou e Alonso se aproveitou da situação para ultrapassar o brasileiro, não sem antes haver um toque entre eles, que causou uma discussão ríspida entre os dois a caminho do pódio.
A corrida de domingo deve ser bastante disputada entre Brawns e Red Bulls. A Red Bull perde parte da vantagem que teve na Inglaterra pela temperatura mais alta e pelas curvas mais lentas da pista alemã, mas ainda deve estar ao menos no mesmo nível da equipe de Ross Brawn. E há sempre a possibilidade de chuva, que cai repentinamente e em pontos isolados.
Em 1976, o carro conseguiu ótimos resultados, conquistando inclusive uma dobradinha, com vitória de Scheckter, partindo da pole position no GP da Suécia, além de outros 11 pódios e a terceira colocação no mundial. Para 1977, com o carro sendo redesenhado, a esperança era conseguir mais que a terceira posição no mundial de construtores.
Contudo, apesar de alguns pódios, o carro teve uma queda de desempenho em relação ao ano anterior e o projeto 34 foi abandonado por um carro convencional de 4 rodas em 1978.
E o carro se mostrou rápido desde o começo, confirmando uma aerodinâmica realmente refinada. Mas ela não era perfeita. O spoiler dianteiro não produzia apoio aerodinâmico suficiente, servindo basicamente para desviar o fluxo de ar.
Depois do abandono do projeto, a Williams e a March chegaram a investir em carros com quatro rodas motrizes traseiras. Porém, a FISA acabou proibindo a artimanha e os carros nunca chegaram a competir com seis rodas, primazia da finada equipe de Ken Tyrrell. Proibição correta pois um carro que não tenha quatro rodas é uma aberração. Uma aberração que fez a Tyrrell produzir belas imagens.
Se esse é o melhor, imaginem o resto. Os 11 melhores estão no site do piloto.
Mais um motivo para que as especulações ganhem força é o desempenho fraco - principalmente pela falta de comprometimento - de Kimi Raikkonen. O finlandês não dá mostras de querer se esforçar para elevar o nível do time, apesar de mostrar alguma velocidade. Massa tem mais tranquilidade quanto ao seu emprego. Os italianos gostam de seu estilo aguerrido e comprometido com a equipe, que tem lhe rendido pontos no campeonato, apesar de não ter sido tão rápido quanto seu companheiro.
Independentemente dos responsáveis, o fato é que o Brasil perde um grande evento automobilístico. E talvez um dos motivos seja a falta de público, causada pelo alto preço dos ingressos e, principalmente, pela falta de um automobilismo local forte, que chame o público aos autódromos e o acostume a frequentá-los, como num campo de futebol, por exemplo. Exceção feita ao GP Brasil de F1 e à F-Truck, nenhuma outra categoria chama a atenção do público, já que a Stock vive de convidados, as categorias de pilotos pagantes não têm interesse em público e o resto é resto, não empolga ninguém.
Uma pena. O automobilismo brasileiro está definhando de vez.
A exibição acontecerá no próximo final de semana no tradicional festival inglês de Goodwood e não será a primeira de Bruno num dos carros que o tio pilotou na F1. No próprio festival, em 2006, Bruno piloto a Lotus na qual Ayrton conquistou sua primeira vitória na F1. O modela era o 97T, de 1985.
E o primeiro contato do piloto da Oreca na Le Mans Series com um F1 foi em Interlagos, no ano de 2004. Bruno pilotou a Lotus 98T, de 1300cv, por alguns minutos, em dois dias do final de semana do GP Brasil e, com pouca experiência com monopostos, muito menos com um motor tão estupidamente potente, deu uma rodada na curva da Ferradura. Aquele carro foi doado ao instituto Ayrton Senna.
Serão imagens de nostalgia pura para os fãs de Senna. Tomara que o contato, ainda que mínimo com um dos carros da equipe e do tio, influenciem na busca de uma vaga na equipe inglesa no ano que vem e tragam bons fluidos ao garoto.
Alonso subiu nesse veículo e tirou dele um pouco mais do rendimento que podia dar. "Venha, suba", ele diz, esboçando um amplo sorriso. "Você dirá quando começamos."
Na arrancada, as rodas guincham antes que o campeão decida que chegou o momento de iniciar a aventura. Quando solta o freio, o carro se transforma em um bólido que prega minhas costas no assento e sai disparado como uma flecha até alcançar uma primeira curva de quase 90 graus à esquerda, que Alonso enfrenta numa velocidade vertiginosa. Ele está concentrado na condução, embora totalmente relaxado.
"Está vendo aquele carro ali adiante? Vamos alcançá-lo."
É competitivo, não há dúvida. E de repente se concentra ainda um pouco mais, aperta o acelerador a fundo, dispara a 250 quilômetros por hora na reta, enfrenta uma curva aberta a mais de 200 e já está encostado na traseira do outro.
Quem o conduz não é qualquer um. É Chris Goodwin, um dos pilotos de provas da McLaren, que circula com outro Mercedes, o CLK 63 AMG, cujo motor oferece "só" 512 cavalos, 140 a menos que o de Alonso. Há diferença.
"Já o pegamos", diz. Quase sem lhe dar tempo para se afastar e dar o sinal de pisca-pisca, o passa como um sopro numa curva aberta à esquerda e entra quase sem tocar no freio, a 150 quilômetros por hora, na curva mais fechada à direita.
Os pneus cantam, nota-se que o carro está forçado, anda acima de suas possibilidades de aderência, e para muitos outros pilotos a situação poderia ser de emergência e acabar num acidente.
Alonso não se abala.
O controla com suas mãos prodigiosas, com ligeiros movimentos do volante e com os pedais.
"O carro reage e funciona muito bem. É um dos melhores que há no mercado", explica. "Mas, para nós, dirigir esses carros é quase uma brincadeira, apesar de correrem muito. É como para um futebolista profissional jogar uma partida de futebol de salão com amigos do colégio."
Talvez, mas para o acompanhante é muito. Jamais existe sensação de perigo, nem pensar. A segurança que o bicampeão mundial confere é absoluta. Mas em mais de uma ocasião, com as costas pregadas ao assento, encontro-me de forma inconsciente pisando forte, buscando algum pedal de freio que me permita pensar que estou fazendo algo.
"Um bom motorista poderia passar pelas curvas deste circuito com o gás a fundo, assim como eu faço", reflete o piloto. "Mas não se atreve a fazer isso, levanta o pé antes de entrar nelas. É basicamente uma questão de confiança. Para mim é tudo muito natural. Já sei como o carro vai reagir em cada circunstância. E, se me surpreender, tenho experiência suficiente para resolver a situação."
"Se o carro sai de traseira", acrescenta, "é preciso salvá-lo com o volante, mas também estar pronto para voltar a colocá-lo na posição normal, porque se não dá um empurrão para o outro lado. Com este carro, que tem tração traseira como todos os Mercedes, o controle é feito tanto com o volante como com o acelerador. Em um carro com tração dianteira, basta o volante."
As coisas teriam sido diferentes se no final tivesse aparecido a chuva que ameaçou cair sobre Goodwood durante todo o dia.
"Com chuva tudo muda. É preciso ser muito mais suave em todos os movimentos. Você não pode fazer nada brusco com o acelerador, nem com o freio, nem com o volante. Tudo em câmera lenta, porque as reações do carro são mais nervosas. Não se deve tocar o freio na curva, porque então o carro bloqueia e sai de frente. É preciso frear antes."
Tenho a impressão de que é praticamente impossível ir mais rápido por aquele traçado: à toda na maioria das curvas, com um carro quase tão potente quanto um F-1 e que tem muitas aplicações técnicas experimentadas na mais alta competição: o câmbio seqüencial no próprio volante, muito rápido e com elementos eletrônicos da Fórmula 1; o motor, semelhante ao de um bólido de alguns anos atrás; e os freios, metade carbono e metade cerâmica.
"E o mais importante", acrescenta Alonso, "este carro tem um monochassi de fibra de carbono quase indestrutível, como os que temos na F-1. É muito seguro."
Mas, segundo Alonso, na pista não tem nada a ver com um F-1.
"Meu bólido agarra 200 vezes mais. Com um Fórmula 1, todas as curvas deste circuito são feitas a fundo, e o problema é que você precisa suportar forças G preocupantes. Deve-se segurar bem o volante e fazer toda a força possível com o pescoço, porque o carro agarra mais do que seu corpo pode suportar."
Então, não tem nada a ver com a F-1. Mas voar ao lado de Alonso é de qualquer forma uma experiência inesquecível.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
